Imperfeição

maio 27, 2012 § Deixe um comentário

Vivemos um começo de século onde a inteligência é imperfeição.

Priscilla Guerra

Um Eu por Gilberto Mendonça Teles

maio 22, 2012 § Deixe um comentário

MODERNISMO

No fundo, eu sou mesmo é um romântico inveterado.
No fundo, nada: eu sou romântico de todo jeito.
Eu sou romântico de corpo e alma,
de dentro e fora,
de alto e baixo, de todo lado: do esquerdo e do direito.
Eu sou romântico de todo o jeito.

Sou um sujeito sem jeito que tem medo de avião,
um individualista confesso, que adora luares,
que gosta de piqueniques e noitadas festivas,
mas que vai se esconder no fundo dos restaurantes.

Um sujeito que nesta recta de chegada dos cinquenta
sente que seu coração bate tão velozmente
que já nem agüenta esperar mais as moças
da geração incerta dos dois mil.

Vejam, por exemplo, a minha carta de apaixonado,
a minha expressão de timidez, as minhas várias
tentativas frustradas de D.Juan.
Vejam meu pessimismo político,
meu idealismo poético,
minhas leituras de passatempo.

Vejam meus tiques e etiquetas,
meus sapatos engraxados,
meus ternos enleios,
meu gosto pelo passado
e pelos presentes,
minhas cismas,
e raptos.
Vejam também minha linguagem
cheia de mins, de meus e de comos.
Vejam, e me digam se eu não sou mesmo
um sujeito romântico que contraiu o mal do século

e ainda morre de amor pela idade média
das mulheres.

Gilberto Mendonça Teles

(&cone de sombras, 1986,p.153.)

Amor de mãe

maio 19, 2012 § Deixe um comentário

                 No meio da praça cheia, ela parecia não ser vista por ninguém durante o dia. Um pequeno fantasma que passava por entre todos os transeuntes ou fixos da praça. E com ninguém notando, ela aproximava-se da estátua que enfeitava o lugar. Uma estátua feminina que sentada de forma imponente, estendia a mão para quem passava pelo local. Ela, pequena daquele jeito, era a única que oferecia a mão ao gesto e como se de verdade fosse a estátua, lhe segurava a mão e sentava-se em seu colo. Ali passava parte da manhã. E as noites solitárias. Aquela mão era o único toque feminino que ao longo de seus poucos anos de vida, havia conhecido. E mesmo fria, a fazia sentir carinho. O colo mesmo duro e um pouco desconfortável com a mesma posição, havia sido o mais próximo de um colo de mãe que conhecia. E passava ali horas e horas de suas manhãs de sol fraquinho. Sentava-se nele e como se de verdade fosse aquela mulher, contava sobre seu dia anterior, mostrava os saquinhos de bala que havia preparado para vender e contava junto com ela o dinheiro feito no dia. Juntas riam, contavam mistérios e fofocas daquela antiga praça. Era a única que ouvia a pequena menina e com ela tinha paciência. As conversas não ficavam em um monólogo. Aquela mulher de pedra respondia, diria a menina se alguém questionasse aquela atitude. Poderia jurar que chegava até mesmo a sentir cafunés feitos por ela durante a noite. Passavam horas ali conversando até a fome bater e a menina partir para mais um dia de tentativas de vender suas balinhas. Mas antes de partir, beijava-lhe a face que naquela hora, quase no meio do dia já encontrava-se quente. E era como se a face de pedra quente com o sol batendo parecesse passar amor. Amor delicado como a quentura do corpo feminino. Um amor quente, quase que de mãe. Um amor que não conhecia mas que sabia ser o melhor e maior amor do mundo. 

Priscilla Guerra

Frio

maio 19, 2012 § Deixe um comentário

A pedra de gelo que era seu coração, gelava a noite da cidade.

Priscilla Guerra

O rio

maio 16, 2012 § Deixe um comentário

“Por mais que digam que o rio que passa não é mais o mesmo, parece que o que deságua por ele nesse momento é o início das antigas lágrimas.”

 

Priscilla Guerra

Desinvetar o amor.

maio 12, 2012 § Deixe um comentário

Qual a importância do amor na vida de uma pessoa? Tantos problemas na vida e o que você mais pensa, é ter alguém ao seu lado. Na verdade acho que para tudo parece existir uma solução na vida, já para esse quesito a gente mais complica. Liga o Foda-se para a falta de dinheiro, emprego chato, pessoas idiotas, momentos boring toda vida mas a falta de amor a gente nunca esquece. Finge que esquece. “Ahhhh liguei o foda-se.” diz por ai. Mas não é verdade. Não adianta mentir para você mesmo. O seu foda-se ligado é como um escudo mas na verdade, aquilo tem uma importância do caralho. E só vai crescendo, crescendo e crescendo. Até onde isso pode parar? Talvez o pensar pode fazer você se distrair e do nada aparece ao seu lado o tal amor. Mas e se não aparecer? E essa busca for pior do que a busca pelo Santo Graal. Porque é meio assim que me sinto. Praticamente em uma comédia do Monty Python. Cheio de palhaços. Inclusive eu. E sempre atrás do Graal. Vixe Maria. “Quem inventou o amor?” já perguntava Renato. Rola desinventar? Pelo menos na minha cabeça? Custa nada. Deixa eu ir atrás de coisas mais objetivas. Pelo menos agora. Vai. Custa? 

Priscilla Guerra

Buracos

maio 10, 2012 § Deixe um comentário

Quantos buracos são possíveis dentro do peito? Não se sabe. Mas eles fecham para que novos sejam feitos. O tempo é o pedreiro e novos amores são a massa para tampá-los.

Priscilla Guerra

Onde estou?

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