Alegria

março 27, 2012 § Deixe um comentário

“E passou a segunda-feira inteira com uma alegria de sexta-feira dentro dela.”

Priscilla Guerra

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O abismo que é uma mulher

março 25, 2012 § Deixe um comentário

Mulher: abismo difícil de não se pular. Poucos são os fortes que dão a volta e não pulam de cabeça no abismo profundo que é uma mulher. A maioria é fraca e não hesita, se joga de cabeça. Um pulo para a morte dolorosa e fatal que é amar uma mulher. O pulo nem sempre tem a morte do corpo. Mas certamente tem a da alma que é entregue a mulher amada. E nada mais mortal do que a entrega da alma à uma mulher.

Priscilla Guerra

Primeiro texto para aula de Oficina de Texto: Onde está a inspiração?

março 19, 2012 § Deixe um comentário

    Deveríamos escrever sobre algo em 15 minutos. Qualquer coisa que viesse em nossa cabeça. E no primeiro dia de aula, a inspiração não vinha no papel em branco. Até que resolvi escrever sobre a tal falta de inspiração:

    “Inspiração. De onde ela vêm? Como iniciar um texto quando você não acredita tê-la?

       Os antigos artistas para iniciarem seus trabalhos, para escrever, compôr, pintar, buscavam, em musas, a inspiração. Mas como escrever qualquer coisa, quando não se têm mais uma musa? Posso talvez escrever sobre decepções, tristezas e dores antigas e como os sambistas poder rimar amor com dor.

      Porém, pretendo buscar um presente muito mais inspirador e que nele a dor faça parte do passado. “

Priscilla Guerra

Avaliação sobre o texto:

Ótimo final

Muito boa a saída (narrativa!) para o trabalho! Parabéns!

Imagem: Orlando Pedroso

Amor

março 17, 2012 § Deixe um comentário

Nem sempre o amor vem enorme passando por cima de tudo. Às vezes vem pequeno crescendo aos poucos e quando você percebe vai tomando não só você mas tudo que está a sua volta.

Priscilla Guerra

O dia em que tentei ser gauche na vida:

março 17, 2012 § Deixe um comentário

                  Algum qualquer disse: “Vai Priscilla! Seja Maluca na vida.” E fui ser. Fui amar mais do que devia. Me decepcionar mais que devia. Fui levar tapas, mesmo sem ao menos esses tocarem a minha face. Revidei-os por instinto também. Cavei abismos com meus próprios pés. Andei sem rumo na vida. Fui bem resolvida. Mal resolvida. Deixei parte de minha vida pelas esquinas e bares da vida. Tive sonhos realizados. Sonhos triturados. Ilusões construídas em mundos de Alice. Ilusões diluídas na mais amarga realidade. Cansei de muitas coisas. Continuei com muitas manias. Mudei muitas vezes. Não fui apenas uma. Me transformei em outras. Fui diversas dentro de uma só. Triste como Beatriz. Fria como Luiza. Desligada como Lígia. Amada como Leila. Desejada como Luz. Inconsequente como Janis. Revolucionária como Anita. Fui como a lua. Mostrei-me por partes. Fui esfinge. mas também mostrei-me por inteira, sem medo de trágicas consequências ou exageradas felicidades. Só sei que sou assim. Aceita por uns. Rejeitada por outros. Afinal, se nem o filho do todo poderoso agradou, por que eu, uma simples pseudo alguma coisa, em formação contínua irei agradar? Estive aqui para viver. Às vezes lenta. Às vezes apressada. Meu tempo é quando. Meu tempo é hoje. Meu presente é a junção do meu presente, meu futuro, minhas lembranças e minhas esperanças. Não busquei nem algo, nem ninguém. Não tive tantas ambições, pois isso não faz bem ao homem. Descobri que no meio de tantas que fui, ao mesmo tempo que me busquei não me busquei. Fui feliz desse jeito descontinuou e metamórfico, não sabendo ao certo quem eu sou ou quem eu fui ou quem eu serei. E assim fui deixando a vida me levar. Fui levando esse samba. De várias notas, arranjos e acordes. Não me deixando preocupar com o que acham ou pensam de minhas atitudes e pensamentos. Tentando fazer de meus erros reconhecidos, alguns acertos nessa vida. Levando a vida como um jogo de cartas com erros e acertos. Como uma partida de buraco, aproveitando todas as cartas que recebo. Como em uma mesa de pôquer, sempre apostando alto em minha mão. Não segui bulas, nem receitas de vida. Vivi sob risco de morte. Aproveitando cada momento. De simples olhares distraídos em tardes de sol até madrugadas vagando pelas ruas escuras da cidade. Não tive noção de perigos. Você os constrói. Nunca os construí. Transformei-os em experiência de vida. Tenho noção é que a vida está ai para ser vivida. Por isso digo a esse algum qualquer, que me predestinou a ser maluca beleza ao nascer, que vivi apenas. Sem adjetivos. Pois viver já trás consigo seus adjetivos. Não precisa de grau para entendê-la. Quem não compreende apenas a palavra viver, não viveu. Apenas habitou, como mais um animal, este mundo que me criou. 

Priscilla Guerra

Navegar é preciso!?!?!?!?

março 15, 2012 § Deixe um comentário

           Acho que isso resume a tentativa de buscar uma poesia que represente o dia de hoje, a cabeça vazia e ao mesmo tempo lotada de pensamentos de hoje. Da tentativa de desprendimento e da falta de foco. De toda uma confusão que não tem nome, não tem adjetivo e não tem objetivo que se tornou o hoje. Porque Pessoa desde sempre me segue. Desde o primeiro livro dele que achei no meio de uma multidão de livros que aparecem na minha vida e que ficarão para sempre ao meu lado. Não sei se busco algo preciso pois não sei se isso é possível mas sei que algo me falta e vejo a urgência de encontrá-lo.  

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

[Nota de SF

“Navigare necesse; vivere non est necesse” – latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]

[ Fernando Pessoa]

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